Pode observar, se um cachorro encontra um osso e o rói sem parar, é porque ele está pra lá de suculento... mas depois de tanto roer e se fartar, uma hora ele larga o osso porque já não lhe serve, e o deixa pra trás, talvez para que outro cachorro, com mandíbulas mais fortes e dentes mais afiados, possa triturá-lo e retirar dele o apetitoso tutano.
Usando a mesma lógica da natureza, gostaria de levantar uma questão: por que os empresários que dominam o transporte coletivo da Grande Aracaju reclamam, reclamam mas não largam o osso da concessão pública que lhes garante, há décadas, a exploração das linhas de transporte coletivo sem concorrência e sem qualquer poder de contestação por parte da sociedade? Se o osso tá roído demais, por que não o deixam pra trás?
Essa questão me vem à mente em função da piada que foi a coletiva de imprensa patrocinada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju – Setransp, na semana passada, num belo hotel da Orla de Atalaia, com o seu presidente, Adierson Monteiro, se esforçando para tentar minimizar a fama de vilão, sua e de seus pares, e explicar por que a qualidade do serviço prestado pelas empresas de ônibus aracajuanas é uma porcaria, mesmo com a tarifa subindo todos os anos muito acima da inflação.
Dupla piada, na verdade. A primeira, pela choradeira do presidente do Setransp, que reclamou disso, reclamou daquilo, jogou a culpa pela deficiência do transporte coletivo nas costas da sociedade e do poder público, no BNDES, no diesel que não baixa, no Congresso que não anda... Enfim, a mesma estratégia surrada de sempre dos sabidos empresários, seja de qual setor for: se a coisa vai bem, o crédito é deles; se vai mal, a culpa é do Estado, da população, dos políticos, do periquito, do papagaio, menos deles... Coisas do “capetalismo”.
A segunda piada, e essa me incomoda um bocado – porque se trata dos meus pares –, foi a infeliz subserviência dos colegas de imprensa que lá estiveram para cobrir o evento. Pelo que li na imprensa nos dias que se seguiram à coletiva dá para imaginar a cena, com o silêncio cortesão dos jornalistas e radialistas, sentadinhos em suas mesas, a ouvirem o pomposo discurso do “big boss” do empresariado do transporte coletivo, com seus slides, números e tabelas enfadonhas.
Vai ver, encantados com o café da manhã oferecido no belo hotel pelo empresário, os profissionais de imprensa presentes estavam ocupados demais beliscando os comes e se empapando com os bebes...
Porque não li uma única linha que questionasse o bom moço da Progresso por que do seu sindicato, ao pleitear aumento da tarifa de ônibus sempre muito acima da inflação do período, só apresenta a planilha de custos à Prefeitura, nunca a de LUCROS.
Não vi uma única reportagem que questionasse, por exemplo, qual a razão para, sendo empresário, o senhor Adierson ter medo da concorrência no setor em que ele atua, lembrando a ele que a lógica incorporada pelo empresariado em qualquer buraco do mundo e por aqueles que impunham a bandeira nefasta do neoliberalismo e a defendem até a morte, é a liberdade total dos mercados e a livre concorrência, e que na carnificina da disputa de mercado, que vença o melhor!
E aí, penso com os meus botões: por que é que essa lógica da livre concorrência vale para o Seu Zé da Bodega e não vale para os empresários de ônibus? Em lugar de fazer esse debate, o senhor Adierson vem com umas frases feitas por encomenda de que licitação “é um engodo”, e que “não será um papel que vai melhorar o setor”.
Com esse discurso, o bom moço acabou por assinar a sentença de incompetência do setor e reforça uma tese que defendo piamente: esta área estratégica para o desenvolvimento do município, a do transporte coletivo, deve mesmo é ficar sob a gerência do Estado, neste caso, a Prefeitura de Aracaju, que tem lá as suas deficiências de gestão, mas que poderia muito bem gerenciar o transporte público muito melhor que esses sabidos empresários, que só querem o lucro fácil, o capitalismo sem riscos.
Porque reclamar que o poder público não ajuda a melhorar o transporte coletivo, gerido pelo poder privado, é a saída mais fácil pra essa turma, é clichê, mas que mal pergunte: quem financiou 35 dos 100 ônibus novos que foram agregados à frota das empresas no início do ano? O Banco do ESTADO de Sergipe, o Banese. E sabe com que grana esses empresários vão pagar esse empréstimo e os demais empréstimos para aquisição dos outros 65 ônibus? Com o lucro da tarifa que os usuários dos coletivos pagam diariamente... Não sejamos bobos, do bolso deles que é bom, não sai um tostão! Quem paga essa conta, no final, é o povo, são os trabalhadores!
Além de capitalismo sem risco, ao dizer que não é um papel que vai melhorar o setor, é bom lembrar ao senhor Adierson que esse setor que ele fala é uma concessão pública, não é a casa da Mãe Joana, e precisa sim de concorrência, regras claras que sejam respeitadas e controle social, principalmente no tocante à discussão do valor da passagem. Por que o cidadão comum tem que respeitar diuturnamente as regras e as leis que lhes são impostas, mas o empresariado não?! As regras e leis devem funcionar para aqueles mas não para estes?
E por falar em leis a serem respeitadas, nenhum dos coleguinhas jornalistas questionou o presidente do Setransp a razão pela qual os empresários de ônibus da Grande Aracaju jamais respeitaram a Lei Municipal 1.765, de 1991, que obriga as suas empresas a depositarem, numa conta conjunta com a SMTT, o percentual de depreciação dos ônibus, já incluído na tarifa paga pela população, com o objetivo de renovar, quando preciso, a frota municipal.
Fazendo um cálculo por baixo, ao não depositaram um único centavo nesta conta, desrespeitando completamente a lei nas barbas do poder público, que também jamais cobrou tal cumprimento, as empresas de ônibus de Aracaju devem ao povo aracajuano um montante certamente superior a R$ 100 milhões! Porque o valente e corajoso ex-vereador da Capital, Antônio Góis, o Goisinho, então no PT, já apontava em 2004 que essa dívida das empresas para com o município beirava os R$ 70 milhões.
Então, em lugar do senhor Adierson afirmar que vai acionar a Prefeitura de Aracaju, portanto, o povo, na justiça para que os empresários de ônibus sejam ressarcidos por uma possível licitação que não lhes favoreça, como foi colocado na coletiva, defendo que o povo de Aracaju é quem deveria colocar esses senhores nas raias da justiça para que devolvam, com juros e correção monetária, o que desviaram nesses últimos 19 anos pelo não cumprimento da Lei 1.765/91, e os gestores públicos, que nada fizeram para impedir essa sangria, que igualmente sejam punidos por improbidade da grossa!
E fica aqui um recado ao empresariado de ônibus: se o osso tá duro de roer, é só largar! E aos colegas de imprensa, afiem tuas flechas! Porque, como escreveu sabiamente o mestre Cleomar Brandi, o bom jornalista “há que ir à luta, buscar a notícia, como o velho índio navajo vai à caça”.
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domingo, 14 de março de 2010
A queda...
A cúpula da Revista Veja reuniu-se para discutir a queda nas vendas... o clima esquentou e a coisa ficou feia!!! Vale a pena conferir!
sexta-feira, 5 de março de 2010
O rosnar golpista do Instituto Millenium
Excelente texto que posto aqui, do jornalista e cartunista Maringoni, tratando sobre o nauseante 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, na verdade, reunião dos cabeças do PIG (Partido da Imprensa Golpista), em São Paulo, onde trataram de afinar o discurso e afiar as suas armas, porque não toleram os avanços sociais promovidos pelo governo Lula, nem as poucas, mas significativas conquistas dos movimentos sociais, em particular no tocante à comunicação, com os resultados positivos da I Confecom, tampouco engolem o avanço de Dilma e a possibilidade de uma mulher e ex-guerrilheira vir a governar o Brasil, logo após um metalúrgico! Não, é demais para essa gente!!!
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O rosnar golpista do Instituto Millenium
Não é bom subestimar os pitbulls da imprensa brasileira. A direita não costuma se unir apenas para tomar chá com torradas. Só não articulam um golpe por sua legitimidade social ser reduzida. Por Gilberto Maringoni*
Vale a pena refletir mais um pouco sobre os significados e conseqüências do 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, realizado pelo Instituto Millenium em São Paulo, na segunda-feira, 1º. de março.
A grande questão é: por que os barões da mídia resolveram convocar um evento público para discutir suas idéias? Tá bom, vamos combinar. A R$ 500 por cabeça não é bem um evento público. Mas era aberto a quem se dispusesse a pagar.
No subsolo do luxuoso hotel Golden Tulip estavam o que se poderia chamar de agregados da Casa Grande dos monopólios da informação, como intelectuais de programa e jornalistas de vida fácil. Todos expuseram suas vísceras, em um strip-tease político e moral inigualável. Um espetáculo digno de nota. Nauseabundo, mas revelador.
Uma observação preliminar: os donos, os patrões, os proprietários enfim, tiveram um comportamento discreto e comedido ao microfone. Não xingaram e não partiram para a baixaria. Quem desempenhou esse papel foram os seus funcionários.
Nisso seguem de perto um ensinamento de Nelson Rockfeller (1908-1979), relatado em suas memórias. Quando resolveu disputar as eleições para governador de Nova York, em 1958, falou de seus planos à mãe, Abby Aldrich Rockefeller. Na lata, ela lhe perguntou: “Meu filho, isso não é coisa para nossos empregados”?
Os patrões deixaram o serviço sujo para os serviçais. Estes cumpriram o papel com entusiasmo.
Objetivos do convescote
Vale a pena refletir mais um pouco sobre os significados e conseqüências do 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, realizado pelo Instituto Millenium em São Paulo, na segunda-feira, 1º. de março.
A grande questão é: por que os barões da mídia resolveram convocar um evento público para discutir suas idéias? Tá bom, vamos combinar. A R$ 500 por cabeça não é bem um evento público. Mas era aberto a quem se dispusesse a pagar.
No subsolo do luxuoso hotel Golden Tulip estavam o que se poderia chamar de agregados da Casa Grande dos monopólios da informação, como intelectuais de programa e jornalistas de vida fácil. Todos expuseram suas vísceras, em um strip-tease político e moral inigualável. Um espetáculo digno de nota. Nauseabundo, mas revelador.
Uma observação preliminar: os donos, os patrões, os proprietários enfim, tiveram um comportamento discreto e comedido ao microfone. Não xingaram e não partiram para a baixaria. Quem desempenhou esse papel foram os seus funcionários.
Nisso seguem de perto um ensinamento de Nelson Rockfeller (1908-1979), relatado em suas memórias. Quando resolveu disputar as eleições para governador de Nova York, em 1958, falou de seus planos à mãe, Abby Aldrich Rockefeller. Na lata, ela lhe perguntou: “Meu filho, isso não é coisa para nossos empregados”?
Os patrões deixaram o serviço sujo para os serviçais. Estes cumpriram o papel com entusiasmo.
Objetivos do convescote
Os propósitos do Fórum não são claros. Formalmente é a defesa da liberdade de expressão, sob o ponto de vista empresarial. Quem assistiu aos debates não deixou de ficar preocupado. Aos arranques, os pitbulls da grande mídia atacaram toda e qualquer tentativa de se jogar luz no comportamento dos meios de comunicação.
Talvez o maior significado do encontro esteja em sua própria realização. Não é todo dia que os donos da Folha, da Globo e da Abril se juntam, deixando de lado arestas concorrenciais, para pensarem em táticas comuns na cena política nacional.
Um alerta sobre articulações desse tipo foi feita por Cláudio Abramo (1923-1987), em seu livro “A regra do jogo”, publicado em 1988. A certa altura, ele relata uma conversa mantida com Darcy Ribeiro (1922-1997), no início de março de 1964. “Alertei-o de que dias antes, o dr. Julinho [Mesquita, dono de O Estado de S. Paulo] havia visitado Assis Chateubriand [dos Diários Associados], e que aquilo era sinal seguro de que o golpe estava na rua. Porque a burguesia é muito atilada nessas coisas, não tem os preconceitos pueris da esquerda. Na hora H ela se une”.
Pois no Instituto Millenium estavam unidos Roberto Civita [Abril], Otávio Frias Filho [Folha] e Roberto Irineu Marinho [Globo]. Sem mais nem porquê.
Não se pode dizer que a turma resolveu botar o golpe na rua. Mas é sintomática a realização do evento quase no mesmo dia em que a candidatura de Dilma Roussef empatou com a de José Serra, de acordo com o Datafolha. Ou que ele aconteça quando os partidos conservadores – PSDB e DEM – estejam às voltas com crises sérias.
O que isso quer dizer? Quer dizer que as representações institucionais da direita brasileira estão se esfarelando. Seu candidato não sabe se vai ou se não vai. Apesar de o governo Lula garantir altos ganhos ao capital financeiro, deixando intocada a política econômica neoliberal, este não é o governo dos sonhos da plutocracia pátria. Elas não suportam conviver com a ala popular, minoritária na gestão do ex-metalúrgico. Deploram a política externa, a não criminalização dos movimentos sociais e a possibilidade de um governo Dilma acatar indicações das várias conferências temáticas realizadas nos últimos anos, como a de Direitos Humanos e a de Comunicação (Confecom).
Incômodo com a Confecom
Falar nisso, há um nítido incômodo com os resultados da Confecom. A grande mídia não tolera que o tema da democratização das comunicações tenha entrado na agenda nacional.
A reação a tais movimentações sociais tem mudado substancialmente a imprensa brasileira. Para pior, vale sublinhar. Para perceber isso, vale a pena fazer uma brevíssima recuperação histórica.
Nos anos anteriores a 1964, a grande mídia – O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil, O Globo, Folha de S. Paulo e Diários Associados, entre outros – tornou-se propagandista e operadora do golpe militar. Colheu desgaste e sofreu censura, anos depois.
O primeiro órgão a notar que, para viabilizar seus propósitos empresariais, necessitava mudar de comportamento foi a Folha de S. Paulo. Com um jornal sem importância antes até o inícios dos anos 1970 e acusado de auxiliar o aparato repressivo da ditadura, seus proprietários perceberam que para mudar sua inserção no mercado valeria a pena abrir páginas para a oposição democrática.
Apostando na democratização
O projeto editorial de 1984 do jornal ( http://www1.folha.uol.com.br/folha/conheca/projetos-1984-3.shtml) dizia o seguinte:
“A Folha é o meio de comunicação menos conservador de toda a grande imprensa brasileira. (...) É com certeza o que encontra maior repercussão entre os jovens. Foi o que primeiro compreendeu as possibilidades da abertura política e o que mais se beneficiou com ela, beneficiando a democratização. É o jornal pelo que a maioria dos intelectuais optou. É o mais discutido nas escolas de comunicação e nos debates sobre a imprensa brasileira”.
Ou seja, percebendo que a democratização lhe granjeava dividendos comerciais, o jornal deu espaço para lideranças, intelectuais e temas identificados com a mudança, em tempos finais da ditadura.
Topo da pirâmide
Vinte e três anos depois, em 11 de novembro de 2007, a Folha publicaria uma pesquisa sobre seu público, intitulada “Leitor da Folha está no topo da pirâmide social brasileira” ( http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1111200715.htm). Logo na abertura, a matéria destaca:
“O leitor da Folha está no topo da pirâmide da população brasileira: 68% têm nível superior (no país, só 11% passaram pela universidade) e 90% pertencem às classes A e B (contra 18% dos brasileiros). A maioria é branca, católica, casada, tem filhos e um bicho de estimação”.
Saem de cena os “os intelectuais”, “os debates sobre imprensa brasileira” e entram os endinheirados. Do ponto de vista empresarial é isso mesmo. Jornal tem de vender e veicular anúncios a quem tem alta capacidade de consumo.
Mas para atender a essa lógica, movimentações editoriais são feitas. Ao invés de se priorizar um limitado pluralismo anterior, passam-se a criar cadernos e atrações voltados para os novos desígnios do público. E a linha editorial e os colunistas passam a ser cada vez mais conservadores.
A Folha beneficiou-se e soube utilizar em proveito próprio do formidável impulso democrático da sociedade brasileira dos anos 1980. Quase três décadas depois, percebe que a continuidade desse movimento não lhe interessa. E se insurge contra ele, com seus pares empresariais, entrando de cabeça nos fóruns do Instituto Millenium.
Golpe em marcha?
Articulações desse tipo são geralmente danosas à democracia. Sempre que ficam carentes de representações, as classes dominantes (chamemos as “elites” por seu nome real) entram no jogo institucional de forma truculenta e atabalhoada. Buscam impor sua vontade a ferro e fogo, uma vez que as regras do convívio político não lhes interessam mais. Seus impulsos são sempre pela ruptura dessas regras. Pelo golpe.
Foi o que aconteceu na Venezuela, em 2002. Com a falência dos partidos de direita e com a avassaladora legitimidade do governo Hugo Chávez, as oligarquias locais – em associação com a Casa Branca, com a cúpula das forças armadas e com a grande mídia – partiram para a ignorância. E se deram mal.
Não é pouca coisa a afirmação do ex-filósofo Roberto Romano, durante o Fórum do Instituto Millenium: “O aspecto ditatorial do Plano Nacional dos Direitos Humanos passaria em branco, não fosse o descontentamento manifestado pelos militares”. Logo quem o professor de Ética (!) invoca como paladinos da democracia...
A tática golpista vingará por aqui? Pouco provável, pois seus defensores encontram-se isolados. O destempero exibido por alguns palestrantes durante o evento – notadamente Romano, Jabor, Reinaldo Azevedo, Marcelo Madureira, Sidnei Basile, Denis Rosenfield e Demetrio Magnoli – é uma patente demonstração de seu reduzido apoio social.
No entanto, não se pode subestimar essa turma. Como interpretar a delirante intervenção de Arnaldo Jabor, ao dizer que “A questão é como impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo”? Como chegar a tal objetivo se não pela quebra da democracia?
*Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).
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