“Máquinas voadoras mais pesadas que o ar são impossíveis”; previsão do Lord Kelvin, em 1895; em 23 de outubro de 1906, o 14 Bis, de Santos Dumont, pesando 160 quilos, saiu do chão e voou por 60 metros. “Um foguete nunca terá a capacidade de sair da atmosfera terrestre”; notícia do New York Times, em 1936; em 3 de novembro de 1957, os russos surpreenderam o mundo ao colocar no espaço a cadela Laika, a bordo da nave espacial, impulsionada por foguetes, Sputnik II. “Fernando Collor fará um excelente governo. Terá pulso e vai fazer valer sua autoridade”; leitura de futurologia feita por Mãe Dinah, vidente, perto das eleições de 1989; eleito, Collor sofreu Impeachment, em 29 de setembro de 1992, sendo afastado por denúncias de corrupção e lavagem de dinheiro esquematizada pelo seu famoso tesoureiro de campanha (e larápio de carteirinha) PC Farias. “O candidato Geraldo Alckmin ganha as eleições de 2006 para presidente do Brasil. Alckmin será o melhor presidente dos últimos tempos”, profetiza o vidente Jucelino Nóbrega da Luz, naquele ano. Como todos sabem, Lula venceu o tucano no 2º turno, com 61% dos votos válidos, e se reelegeu presidente.
Enfim, essas são apenas algumas das previsões da história que falharam feio, feitas por alguns ilustres senhores ou senhoras que se valeram não se sabe de que poderes sobrenaturais para, efetivamente, colocarem suas palavras como uma antecipação divina do tempo, propondo como verdade o que fabricaram a partir de elucubrações e visões pessoais.
Premonição, profecia, clarividência, adivinhação ou seja lá o nome que se queira dar, para mim, tentar antecipar o futuro é o mesmo que tentar responder quem venho primeiro, se o ovo ou a galinha.
Dos profetas dos tempos babilônicos, passando por Nostradamus, aos gurus e videntes do nosso século, são inúmeros os que disseram ou dizem prever o futuro, ou que possuem dotes apurados para avaliar o presente e apontar o destino de ilustres cidadãos ou mesmo da humanidade como um todo. 99% erraram feio, assim como é fato que muitos videntes e profetas acabaram famosos por acertar 1% das previsões que fizeram... É que ainda há muito ingênuo neste mundo.
Mas o fato é que os neoprofetas estão ocupando lugares cada vez mais destacados na nossa sociedade pós-moderna. Os tempos são outros, e se pode encontrá-los agora fazendo previsões futuristas por encomenda pela internet, ou mesmo encontrar essa gente pelo catálogo telefônico ou nos classificados dos jornais.
Mas, muito mais espantoso, é saber que muitos desses neoprofetas abraçaram a política e hoje estão também nos noticiários, debulhando suas mágicas deduções nas páginas dos jornais e revistas, vendendo seus pretensos dotes visionários na TV, ou destilando suas incensadas previsões em blogs e sítios na internet. Eles evoluíram. Estão por aí, é só acompanhar com atenção.
Nesses espaços, dia após dia, é possível observar a bola de cristal dessa gente funcionando a todo vapor. Travestidos de jornalistas ou analistas políticos, os vestais da adivinhação deitam suas bacias com água e se põem a trabalhar na construção das suas quadras e centúrias que revelam, para os incautos telespectadores e leitores, os “previsíveis” resultados eleitorais deste ano. Coisa de quem mexe mesmo com os deuses ou troca uma bola com os espíritos. Só pode ser.
Porque, antecipar algo que só vai acontecer em 3 de outubro é coisa do outro mundo, algo sobrenatural, do mais profundo ocultismo. Sem qualquer base científica ou de pesquisas de opinião (que são passíveis de erros, manipulação e interpretações diversas, como já coloquei no post anterior), lá estão eles, os profetas-especialistas travestidos de jornalistas, a se recobrirem de uma áurea mística – que mataria de inveja a própria Mãe Dinah – que busca dar cores de credulidade às suas revelações desbotadas.
As afirmativas dessa gente desafiam qualquer lógica terrena. Inteligentes e astutos, não têm sequer o pudor do enigmático Michel de Nostradamus, que escrevia suas previsões de forma cifrada, dando interpretações mil a elas, até para não se comprometer muito. Os neoprofetas da política escancaram suas previsões de forma espantosamente clara. “Esse se elege; aquele, não... Fulano vai se reeleger facilmente; Sicrano, só com muito sal grosso, arruda e reza braba”. E por aí vai.
Da forma que jogam seus búzios na imprensa, é melhor abolirmos as campanhas eleitorais e seus gastos astronômicos; aliás, melhor até mesmo eliminarem as eleições, porque os tais mestres da adivinhação apontam os eleitos e os derrotados com quase precisão cirúrgica. Por pouco não apontam o número de votos de cada um.
No entanto, andam esquecendo-se de consultar o personagem mais importante dessa história toda: sua excelência, o eleitor. E se formos despejar aqui as inúmeras e históricas ratadas dadas por pretensos analistas políticos e iluminados jornalistas que ousaram prever resultados eleitorais, o óbvio ficará muito mais que ululante: urna é igual a futebol (na visão do célebre frasista popular Neném Prancha): uma eterna caixinha de surpresas. Em síntese, o amanhã, deste ontem e sempre, será uma insuperável incógnita para o ser humano, tão superlativamente imprevisível e enigmático quanto acreditar que há vida após a morte.
Confesso que estou guardando muitas dessas “premonições eleitorais” de 2010 para depois de 3 de outubro produzir um outro artigo, analisando essas clarividências e o grau de erro ou acerto dessa gente. Vai ser bem divertido.
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terça-feira, 27 de abril de 2010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Há pesquisas e pesquisas... interpretações e interpretações
Começa a temporada de pesquisas de opinião pública, com safras cada vez mais rotineiras. O eleitor, cada vez mais, será consultado antecipadamente à consulta principal, na urna, que só acontece daqui a alguns meses. Até o primeiro turno das eleições, em 3 de outubro, muita água vai rolar por debaixo da ponte. Mas há pesquisas e pesquisas, e suas interpretações, uma caixinha de variadas fórmulas. A questão não são os números que apontam, para candidato A, B ou C, as preferências do eleitorado naquele determinado espaço de tempo, mas as interpretações que “especialistas” dos mais variados naipes dão a eles. Mesmo que os frios números não digam o que os especialistas interpretativos querem que eles digam, faz-se um esforço de espremer percentagens e tirar duvidosas lucubrações para que apareçam como resultado positivo, o que nem sempre são. Tudo é questão de interpretação, ao gosto do freguês; desliza ao saber da maré para que o barco, mesmo que em meio à turbulência, pareça estar na mais serena enseada.
A matemática é simples e objetiva: 2+2 são 4; além disso, é ciência, precisa e exata. Mas pesquisa de opinião, mesmo que os profissionais que atuam nesse (lucrativo) mercado, na ânsia de atribuir maior "nobreza" ao desenvolvimento da sua atividade, digam que se trata de uma ciência, fatos passados e recentes não permitem que se leve tal afirmação muito a sério.
Na semana passada, uma dessas pesquisas “ao gosto do freguês” saiu do forno e colocou o prefeito de Aracaju Edvaldo Nogueira num oásis de popularidade. Segundo esta, 86% dos aracajuanos aprovam a gestão do comunista. Mais interessante que a popularidade “lulesca” do prefeito, é a pesquisa ter pipocado num momento muito ruim para o chefe do executivo da capital, que saiu com a imagem bem arranhada após as fortes chuvas que caíram sobre a cidade por quase uma semana, trazendo à tona problemas com alagamentos em vários bairros e que poderiam ter sido evitados, se a prefeitura tivesse feito obras de infraestrutura necessárias para a contenção e mitigação dos temporais, que sempre chegam com o outono. Isso, certamente, irritou grande parte da população, principalmente quem perdeu casas e bens materiais de uma vida toda.
Com o “Ibope” em baixa, nada como uma boa pesquisa para levantar o moral. E ela veio, em hora das mais apropriadas para o alcaide. Mas quando se destrincham os números, vê-se que eles foram supervalorizados por quem lhes deu interpretação. À pergunta “como o senhor classifica a administração do prefeito Edvaldo Nogueira?”, 10% acham a administração ótima, 40% acham boa e 36% acham regular. Até aí, tudo bem, mas se 36% dos entrevistados a acham regular, isso não pode ser interpretado objetivamente como positivo, mas subjetivamente como um meio termo entre positivo e negativo. Portanto, a depender da interpretação que se queira dar a esse número, poder-se-ia dizer da mesma forma que 36% desaprovam a administração do prefeito. Tudo é questão de interpretação.
A pesquisa também apontou dados conflitantes. Nela, como já foi dito, 10% acham ótima a administração de Edvaldo; 40% acham boa; e 36% a vêem como regular. Mas seguem ou números: 4% acham ruim; 9% acham péssima; e 2% não souberam responder. Aí surge o inesperado. Somando-se todos os índices, chega-se a 101%, quando estes números deveriam somar 100%. Foi uma festa para os opositores do prefeito, que caçoaram um bocado dos números. Esse 1% pode até não mudar em nada o resultado final buscado na pesquisa, mas certamente a compromete dentro do processo empírico de uma sondagem estatística.
Mas pior que isso é ver que pesquisas de opinião pública têm também a capacidade de revelar a natureza astuta do homem de só aceitar o que lhe convém.
No dia 27 de março, o instituto Datafolha, que pertence ao jornal Folha de São Paulo, publicou pesquisa sobre a sucessão presidencial que surpreendeu a todos, por dar ao então governador de São Paulo, José Serra (PSDB), um sobressalto eleitoral que o jogou bem à frente da pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, num período em que esta vinha crescendo nas sondagens.
O Datafolha, de forma ardilosa, ante um inseguro Serra quanto à sua desincompatibilização do governo de São Paulo para se lançar à corrida presidencial, para não jogar chope na festa preparada pelos tucanos, tratou de dar “uma forcinha” ao seu candidato, apontando sua subida em quatro pontos percentuais e queda da petista em um ponto, freando assim a escalada vertiginosa de Dilma das últimas semanas.
Foi uma festa para o tucanato, um regozijo para os demistas. A oposição riu à toa de norte a sul do Brasil. A farsa midiática teve lá o seu efeito, alegrando a torcida emplumada, mas foi tão grotesca que nenhum outro instituto quis embarcar nela.
Duas semanas depois, pesquisa Sensus, encomendada pelo Sintrapav (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Pesada de São Paulo), apontou o que todos já sabiam e esperavam: empate técnico entre o tucano José Serra (32,7%) e a petista Dilma Roussef (32,4%), o resultado mais apertado já obtido entre os dois até então.
A tucanada baixou a bola, mas não perdeu tempo e partiu pra cima da pesquisa. Líderes do PSDB saíram para trombetear que a pesquisa, que não lhe era mais tão favorável, por ser encomendada por um sindicato de trabalhadores – portanto, favorável à trabalhista Dilma –, não tem valor, tendo apenas o objetivo de impactar negativamente a campanha de Serra. Como se não bastasse tamanha arrogância e preconceito de classe, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), saiu com essa pérola: "Os institutos de pesquisa deveriam ter um certo regulamento. Eu acho meio surreal um sindicato encomendar pesquisa".
Um disparate. Pelo jeito, pra essa turma, pesquisa de opinião pública só pode ser encomendada por empresários, sindicatos de patrões e realizada pelos institutos que eles apontam. Fora disso, não tem valor. Nada mais estúpido. A Folha, como veículo de comunicação social, mentir e manipular – aliás, como sempre faz quando quer defender os seus interesses –, isso é que é chocante (e revoltante).
Mas como eu disse no início deste artigo, há pesquisas e pesquisas. Cabe ao povo buscar compreender o que há por trás dos seus dígitos e percentuais, saber interpretá-las à luz da razão, e não ao sabor dos interesses daqueles que buscam nos números e estatísticas as respostas e efeitos que lhes convém.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
São as águas de março... caindo pesadas em abril
Março se foi, mas deixou suas águas – e quanta água – na atmosfera, e elas acabaram por despencar, sem trégua, por esses dias, deixando um rastro de destruição que começa no sul do país e chega à região norte, passando por estas plagas, despejando sobre muitas cidades sergipanas a fúria das águas benditas – não dá pra amaldiçoar a água; passada a tempestade, certamente virá a bonança e fartura nas colheitas, além de manter os reservatórios aquíferos em bons níveis.
Mas claro, onde cai água demais, há sempre destruição, mortes e muitos, muitos desabrigados.
Então, se há que se amaldiçoar alguém, que sejam os homens, o poder público e, principalmente, os maus políticos, aqueles que buscam as gentes humildes somente quando precisam arrancar-lhes os votos, e depois de eleitos, um abraço. Ficam apenas as promessas, a demagogia e os projetos de duvidosa solução a serem exibidos em belas maquetes e plantas baixas, mercadorias de ilusão de prestidigitadores de mão cheia.
Os vendedores de ilusão da política estão por aí, aos borbotões, alimentados justamente pela miséria e as desgraças alheias. Bestas feras das mais malignas, se reproduzem feito coelho, e o pior, alguns são recicláveis, transmutáveis – mudam na aparência, mas na essência, permanecem os mesmos. E esses bichos perversos não deixam a política – tampouco o povo em paz – nem com reza braba.
Com as fortes chuvas que caem, sem dó nem piedade, sobre quase todo Estado desde a quinta-feira 8, muitas dessas bestas feras vão se revelando, e as mazelas aflorando ao sabor das torrentes. E as notícias que a cada instante chegam traçam um panorama desolador em muitos municípios e também na nossa “moderna” capital da qualidade de vida,
São Cristóvão, Carmópolis, Tobias Barreto, Poço Redondo, Nossa Senhora do Socorro, Aracaju... em cada canto, uma história de sofrimento e perdas com as chuvas. E o povo vai assim, sofrendo e sofrendo, eleição após eleição.
Não faz sentido, e não dá pra aceitar. Apesar das surpresas da natureza, que de quando em quando apronta uma pra cima da gente – mas isso ocorre desde que o mundo é mundo –, é inconcebível que situações como as que observamos resultante das fortes chuvas de outono ainda persistam. Muitos desses problemas são do conhecimento das autoridades há tempos, acontecem todos os anos, mas nunca são resolvidos de forma permanente. Aliás, muitos desses problemas são varridos pra debaixo do tapete, e ali ficam, até que uma grande tragédia aconteça.
Portanto, nada de amaldiçoar a natureza por suas tempestades invariáveis, tampouco jogar a culpa pelas tragédias resultantes dos temporais nas costas dos pobres, como fez o governador do Rio, Sérgio Cabral, que em entrevista à GloboNews, dia desses, afirmou, com todas as letras, que a culpa pelas mortes nos desmoronamentos de encostas na capital carioca era dos pobres que ali construíram suas casas – como se estes tivessem outra opção. A velha e manjada criminalização da pobreza. Rico construindo mansões em encostas é lindo, panorâmico e excêntrico; pobre, fazendo o mesmo, está invadindo e destruindo as matas, pondo em risco a sociedade. Cômico, se não fosse trágico.
Se há que se amaldiçoar alguém, então que sejam esses mesmos que criminalizam a pobreza e aqueles que pouco fazem para buscar soluções concretas e duradouras para o enfrentamento das intempéries, sejam quais forem. Não se está pedindo aqui nenhum milagre, ou que se construam casas capazes de flutuar ante uma enchente, ou uma máquina de chuva para levar água onde a seca castiga. O que se pede é que se busquem os meios mais modernos de construção, as ferramentas disponíveis e as tecnologias existentes e as usem para mitigar os danos causados por forças inclementes da natureza. Nada demais. Tudo é questão de planejamento e vontade política, duas coisas que estão rareando por estas plagas, infelizmente!
Mas claro, onde cai água demais, há sempre destruição, mortes e muitos, muitos desabrigados.
Então, se há que se amaldiçoar alguém, que sejam os homens, o poder público e, principalmente, os maus políticos, aqueles que buscam as gentes humildes somente quando precisam arrancar-lhes os votos, e depois de eleitos, um abraço. Ficam apenas as promessas, a demagogia e os projetos de duvidosa solução a serem exibidos em belas maquetes e plantas baixas, mercadorias de ilusão de prestidigitadores de mão cheia.
Os vendedores de ilusão da política estão por aí, aos borbotões, alimentados justamente pela miséria e as desgraças alheias. Bestas feras das mais malignas, se reproduzem feito coelho, e o pior, alguns são recicláveis, transmutáveis – mudam na aparência, mas na essência, permanecem os mesmos. E esses bichos perversos não deixam a política – tampouco o povo em paz – nem com reza braba.
Com as fortes chuvas que caem, sem dó nem piedade, sobre quase todo Estado desde a quinta-feira 8, muitas dessas bestas feras vão se revelando, e as mazelas aflorando ao sabor das torrentes. E as notícias que a cada instante chegam traçam um panorama desolador em muitos municípios e também na nossa “moderna” capital da qualidade de vida,
São Cristóvão, Carmópolis, Tobias Barreto, Poço Redondo, Nossa Senhora do Socorro, Aracaju... em cada canto, uma história de sofrimento e perdas com as chuvas. E o povo vai assim, sofrendo e sofrendo, eleição após eleição.
Não faz sentido, e não dá pra aceitar. Apesar das surpresas da natureza, que de quando em quando apronta uma pra cima da gente – mas isso ocorre desde que o mundo é mundo –, é inconcebível que situações como as que observamos resultante das fortes chuvas de outono ainda persistam. Muitos desses problemas são do conhecimento das autoridades há tempos, acontecem todos os anos, mas nunca são resolvidos de forma permanente. Aliás, muitos desses problemas são varridos pra debaixo do tapete, e ali ficam, até que uma grande tragédia aconteça.
Portanto, nada de amaldiçoar a natureza por suas tempestades invariáveis, tampouco jogar a culpa pelas tragédias resultantes dos temporais nas costas dos pobres, como fez o governador do Rio, Sérgio Cabral, que em entrevista à GloboNews, dia desses, afirmou, com todas as letras, que a culpa pelas mortes nos desmoronamentos de encostas na capital carioca era dos pobres que ali construíram suas casas – como se estes tivessem outra opção. A velha e manjada criminalização da pobreza. Rico construindo mansões em encostas é lindo, panorâmico e excêntrico; pobre, fazendo o mesmo, está invadindo e destruindo as matas, pondo em risco a sociedade. Cômico, se não fosse trágico.
Se há que se amaldiçoar alguém, então que sejam esses mesmos que criminalizam a pobreza e aqueles que pouco fazem para buscar soluções concretas e duradouras para o enfrentamento das intempéries, sejam quais forem. Não se está pedindo aqui nenhum milagre, ou que se construam casas capazes de flutuar ante uma enchente, ou uma máquina de chuva para levar água onde a seca castiga. O que se pede é que se busquem os meios mais modernos de construção, as ferramentas disponíveis e as tecnologias existentes e as usem para mitigar os danos causados por forças inclementes da natureza. Nada demais. Tudo é questão de planejamento e vontade política, duas coisas que estão rareando por estas plagas, infelizmente!
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